Alguns eventos são feitos para apresentar produtos. Outros, para construir conexões. E existem aqueles que reúnem pessoas que estão pensando, financiando e desenhando futuros.
O NEXUS Global Summit é um desses espaços.
Realizado anualmente em Nova York, o NEXUS reúne uma comunidade internacional formada por investidores, filantropos, empreendedores, líderes sociais, fundações, herdeiros de grandes patrimônios, gestores de impacto e agentes de transformação de diferentes partes do mundo. O encontro foi criado com o propósito de conectar pessoas que desejam utilizar recursos, conhecimento e influência para enfrentar desafios sociais, ambientais e econômicos globais.
Em outras palavras, o NEXUS é um lugar onde se discutem não apenas negócios, mas possibilidades.
Possibilidades de novos modelos econômicos, de novos sistemas de financiamento, de futuros mais sustentáveis e inclusivos.
Foi nesse contexto que tivemos a honra de participar da edição de 2026.
Fomos convidados pela Amazon Investor Coalition para integrar o painel “Investing in the Amazon: Growing the Amazon Socio-Bioeconomy”, uma conversa sobre investimento, filantropia e empreendedorismo na Amazônia.
Ao receber o convite, senti algo curioso... Eu não estava indo a Nova York para vender um produto, nem para apresentar uma coleção: Estava indo para compartilhar uma experiência.
Minha experiência de empreender na Amazônia! E eu nem sabia o quanto o que eu estou fazendo é significativo, nesse momento talvez eu entendi que sou uma formiguinha tentanto algo... mas que esse algo que eu tento tem valor.
Minha experiência de construir uma empresa a partir de relações humanas, de matérias-primas amazônicas, de conhecimentos tradicionais e de um território que opera em tempos e dinâmicas muito diferentes daqueles normalmente considerados pelos mercados globais.
Durante o painel, compartilhei parte da trajetória do LUNA e do caminho que percorremos nos últimos anos (Não foi o que treinei e pensei que iria falar, mas na hora veio dessa forma, e eu abracei).
Falei sobre o desenvolvimento de produtos que conectam criatividade, bem-estar e bioeconomia. Sobre as comunidades que fazem parte dessa jornada. Sobre os desafios de transformar valor cultural e ambiental em oportunidades econômicas reais. E sobre algo que tenho aprendido cada vez mais: a Amazônia não pode ser compreendida apenas por indicadores clássicos de produtividade ou escalabilidade.
Minha região exige presença, exige tempo, exige construção de confiança, exige transparência.
Ao lado de Lucas Conrado (Fundo Estímulo), Lucca Rizzo (Ics - Instituto Clima e Sociedade) e com mediação de Jonah Wittkamper (Co Founder NEXUS e Amazon Investors Coalition), discutimos justamente essa necessidade de criar mecanismos de investimento capazes de dialogar com as realidades amazônicas.
Porque muitas vezes os modelos financeiros tradicionais foram pensados para contextos completamente diferentes dos nossos.
Na Amazônia, cadeias produtivas são atravessadas por distâncias geográficas, sazonalidades naturais, desafios logísticos, processos comunitários e relações construídas ao longo de anos.
Investir na região não significa apenas aportar recursos. Deve significar;
Compreender territórios, aceitar complexidades, construir relações de longo prazo.
Mas talvez um dos momentos que mais me marcou durante o NEXUS tenha acontecido fora do palco.
Assistir Laura Yawanawa compartilhar sua visão sobre a floresta para uma audiência internacional foi um lembrete poderoso de que a Amazônia possui conhecimentos que não cabem em planilhas ou relatórios. Ela falou sobre a inteligência da floresta.
Sobre seus próprios ritmos.
Sobre a necessidade de reaprendermos a ouvir.
Enquanto escutava suas palavras, percebi algo que vem se tornando cada vez mais claro para mim.
Já existe uma mudança importante acontecendo. E como sou grata à ela.
Durante muito tempo, as conversas sobre a Amazônia foram conduzidas principalmente por pessoas olhando para a região de fora para dentro.
Hoje, ainda que de forma gradual, começamos a ver mais vozes amazônicas ocupando espaços de decisão, influência e construção de narrativas.
E isso importa.
Importa porque ninguém compreende um território melhor do que quem vive nele. Importa porque soluções sustentáveis precisam nascer do diálogo entre conhecimento técnico, experiência prática e sabedoria territorial. Importa porque a floresta não é apenas um ativo ambiental. Ela é também cultura, economia, identidade, memória e futuro.
Durante esse ultimo ano tenho participado de diferentes espaços... feiras internacionais, conferências, encontros de empreendedorismo, fóruns de políticas públicas e eventos ligados à bioeconomia.
Cada um deles me ensinou algo diferente. Mas o NEXUS trouxe uma percepção particular:
Comecei a entender com mais clareza que o papel do LUNA talvez vá além da criação de produtos. Nosso trabalho também é construir pontes. Pontes entre comunidades e mercados. Entre tradição e inovação. Entre floresta e cidade. Entre a Amazônia e o mundo.
Volto dessa experiência com novos aprendizados, novas conexões e, principalmente, com uma compreensão mais profunda sobre o ecossistema do qual fazemos parte.
Um ecossistema formado por empreendedores, investidores, pesquisadores, lideranças comunitárias, organizações, artistas e agentes de transformação que, de diferentes formas, estão tentando responder à mesma pergunta:
Como construir prosperidade para a Amazônia sem abrir mão daquilo que a torna única?
Não tenho todas as respostas. Mas saio do NEXUS com a convicção de que elas serão encontradas coletivamente. E que a Amazônia não precisa apenas ser incluída nas conversas sobre o futuro. Ela tem muito a ensinar sobre como esse futuro pode ser construído.
