A COP30 foi um marco para Belém.
E também para a Amazônia.
Durante aqueles dias, nossa cidade se transformou em um grande ponto de encontro entre culturas, perspectivas, conhecimentos e visões de futuro. Pessoas de diferentes países, organizações, governos, empresas, comunidades e movimentos sociais chegaram à Amazônia trazendo perguntas, propostas e reflexões sobre os desafios do nosso tempo.
E nós tivemos a oportunidade de estar presentes.
Mais do que participar de eventos ou acompanhar debates, vivemos a experiência de observar a Amazônia ocupando o centro das conversas globais.
Para quem nasceu, vive e empreende neste território, existe algo profundamente simbólico em ver temas que fazem parte do nosso cotidiano ganharem atenção internacional.
Estivemos na Blue Zone acompanhando discussões sobre clima, bioeconomia, identidade, gênero e desenvolvimento sustentável.
Foram dias de escuta atenta e aprendizado constante.
Mais do que buscar respostas, fomos compreender como o mundo enxerga a Amazônia e quais caminhos estão sendo imaginados para o futuro da região.
Uma das experiências mais especiais foi o desenvolvimento de uma vela aromática produzida a partir do reaproveitamento do óleo de babaçu utilizado na cozinha do Iacitata dentro da Blue Zone.
Um projeto simples na escala, mas potente no significado.
Ele traduz algo em que acreditamos profundamente: inovação e sustentabilidade podem nascer da observação cuidadosa dos recursos já existentes e das relações que construímos ao nosso redor.
Também tivemos a alegria de ver nossas criações presentes na Green Zone, no Brasil BioMarket, em iniciativas ligadas ao Sebrae Pará, no Pavilhão Pará e em projetos que ampliam narrativas sobre a Amazônia.
Entre eles, o Atlas Imaginário, projeto desenvolvido pelo MIT, no qual atuei como assistente de pesquisa e pesquisadora olfativa.
Mas talvez o mais valioso da COP30 não tenha sido onde estivemos.
Foi aquilo que ela nos permitiu enxergar.
Ao longo dos encontros, foi bonito ver nossa gente mostrando ao mundo que a Amazônia não é apenas uma pauta ambiental.
Ela também é cultura.
É identidade.
É empreendedorismo.
É ciência.
É criatividade.
É ancestralidade.
E é futuro.
Cada uma dessas dimensões precisa fazer parte das conversas sobre desenvolvimento e adaptação climática.
Para o LUNA, participar desse momento reforçou uma percepção importante.
Nosso trabalho não existe isoladamente.
Fazemos parte de um ecossistema muito maior, formado por comunidades, pesquisadores, artistas, empreendedores, instituições e pessoas que acreditam em novas formas de gerar valor a partir da floresta em pé e dos saberes que ela abriga.
A COP30 também nos ensinou sobre a importância da escuta.
Escutar diferentes perspectivas.
Diferentes territórios.
Diferentes realidades.
Escutar desafios, mas também possibilidades.
Saímos desse encontro com mais perguntas do que respostas.
E isso é algo positivo.
Porque os processos de transformação costumam começar justamente quando ampliamos nossa capacidade de compreender a complexidade do mundo ao nosso redor.
Também saímos atravessados.
Por conversas.
Por encontros.
Por ideias.
Por dados.
Por propostas.
Por mecanismos concretos de implementação.
E pela percepção de que transformar realidades exige muito mais do que boas intenções.
Exige articulação, conhecimento, colaboração e disposição para revisar modelos que pareciam imutáveis.
Seguimos acreditando que construir futuros para a Amazônia exige diálogo, cooperação e aprendizado contínuo.
E foi exatamente isso que encontramos durante a COP30.
Um grande exercício coletivo de imaginar, discutir e construir possibilidades para os próximos capítulos da nossa história.
Temos orgulho de ter vivido esse momento em nossa cidade, em nosso território e no tempo da nossa geração.
Na foto da capa: eu e Tzinia Carranza, uma das pessoas inspiradoras que cruzaram meu caminho durante a COP30.
