Entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro de 2025, vivemos uma experiência que permanece conosco até hoje.
Talvez tenha sido um dos momentos mais importantes e simbólicos da nossa trajetória.
Participamos da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, em Brasília, realizada pelo Ministério das Mulheres do Governo federal, um encontro que reuniu mulheres de todo o Brasil para representar diferentes trajetórias, territórios e formas de atuação, unidas pelo desejo comum de contribuir para a construção de um futuro mais justo para as mulheres brasileiras.
Fomos em trio.
Eu, Layse e Josinéia.
Estávamos ali para apresentar nossos produtos e criações na Mostra Nacional de Economia Solidária e Criativa, realizada durante a conferência.
Mas, desde o início, eu sabia que aquela experiência não fazia sentido ser vivida sozinha.
Quando recebi a confirmação da minha participação, expliquei que o trabalho desenvolvido pelo LUNA não era sustentado por uma única voz. Que ele era resultado de encontros, trocas e construções coletivas. E que, por isso, era importante que Josinéia e Layse estivessem comigo.
Foram dias de espera até recebermos a confirmação.
E conseguimos.
As três embarcaram.
Josinéia, além de participar da mostra, também foi delegada da conferência, com direito a voto no eixo "Direito à Terra com Igualdade para Mulheres do Campo e da Floresta".
Orgulho.
É difícil descrever o que significou ocupar aquele espaço ao lado de mulheres amazônidas com histórias tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão conectadas.
Carregávamos em nossas bagagens não apenas nossas vivências pessoais, mas também as vozes, os desafios e as potências dos territórios de onde viemos.
Durante aqueles dias, compartilhamos espaços com lideranças femininas de todas as regiões do país. Escutamos relatos que emocionaram, debates que provocaram reflexões profundas e discussões que revelaram a complexidade da realidade vivida por milhões de mulheres brasileiras.
A conferência nos lembrou que falar sobre políticas públicas é, antes de tudo, falar sobre vidas reais.
Sobre mulheres que enfrentam violências, desigualdades, invisibilidades e barreiras diárias.
Sobre mulheres que sustentam famílias, preservam culturas, lideram comunidades e transformam territórios, muitas vezes sem o reconhecimento que merecem.
Nem sempre houve consenso.
E talvez essa tenha sido uma das maiores riquezas daquele encontro.
Os impasses, as divergências e as diferentes perspectivas mostraram que a construção coletiva exige escuta, respeito e disposição para compreender realidades que muitas vezes são diferentes das nossas.
Foi um processo intenso, por vezes desafiador, mas profundamente necessário.
Havia momentos em que estávamos na plenária ouvindo os debates. Em outros, participávamos das salas temáticas. E, muitas vezes, estávamos na Mostra de Economia Solidária e Criativa, onde as conversas continuavam acontecendo de forma espontânea.
Nos corredores, nos intervalos, entre uma atividade e outra.
As mulheres comentavam o que tinham ouvido, compartilhavam opiniões, concordavam, discordavam e construíam reflexões juntas.
Muitas vezes, os corredores também eram espaços de conferência.
Voltamos para casa com a sensação de que nossas jornadas individuais ganham mais força quando encontram a jornada de outras mulheres.
Nessa viagem, também tive o privilégio de dividir quarto com Dona Terezinha, da Chitarte da Bahia, uma mulher que entrou para a minha vida e que hoje levo no coração.
Retornamos ainda mais conscientes da importância de fortalecer redes, criar pontes e valorizar os saberes que nascem dos nossos territórios.
Como mulheres amazônidas, sabemos que muitas discussões nacionais ainda precisam olhar com mais atenção para as especificidades da floresta, das comunidades tradicionais e das mulheres que vivem longe dos grandes centros urbanos.
Aprendemos. Ouvimos. Contribuímos.
E voltamos com a certeza de que nenhuma conquista é construída sozinha.
Seguimos profundamente gratas pela oportunidade de participar desse momento histórico e por compartilhar essa experiência ao lado de mulheres tão inspiradoras como Josinéia e Layse, que fazem parte da construção do LUNA todos os dias.
Porque, embora cada mulher tenha sua própria história, seus próprios desafios e seus próprios caminhos, existe algo que nos conecta.
A certeza de que avançamos mais longe quando caminhamos juntas.
